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10 de setembro de 2008

Frades capuchinhos despedem-se de Santa Justa




A saída dos frades capuchinhos da igreja de Santa Justa já era esperada a alguns anos. Uma reformulação da Ordem dos Frades Capuchinhos ditou o encerramento da sua "Casa" em Coimbra. Em causa está a falta de vocações e o envelhecimento dos membros que pertencem à Ordem. Por outro lado, esta reorganização pretende ir ao encontro de novos povos que ainda não conhecem Cristo. Daí uma aposta em Angola e Timor-Leste. A comunidade cristã de Santa Justa levou a cabo no passado domingo uma celebração eucarística, presidida por D. Albino Cleto e concelebrada por meia dúzia de sacerdotes, entre os quais o Frei António Martins, ministro provincial dos capuchinhos em Portugal. O objectivo foi agradecer a sua presença ao longo de 65 anos em Coimbra.


"Esta celebração não deve ser interpretada como uma despedida, mas sim, como uma acção de graças, por esta imensa obra que os nossos irmãos franciscanos capuchinhos levaram a cabo ao longo de todos estes anos nesta cidade", afirmou D. Albino Cleto ao presidir à Eucaristia, no passado domingo, na igreja de Santa Justa. Celebração que marcou oficialmente a saída dos frades capuchinhos de Coimbra.
Ao fazer referência à liturgia do dia, D. Albino Cleto reconheceu publicamente o trabalho dos frades capuchinhos. "Foram na Igreja de Coimbra, profetas e sentinelas", referiu o prelado. Anunciaram a Palavra de Deus, corrigindo a vida dos arrependidos através da confissão. "O que eles fizeram foi para nós um desafio. Tenho agora o dever e a responsabilidade que aquilo que se fez, não acabe agora", retorquiu o Bispo de Coimbra perante uma igreja cheia de fiéis.
Os frades capuchinhos permaneceram em Coimbra ao longo de 65 anos (desde 1943). Uma pequena comunidade religiosa que sempre foi composta por três elementos, instalou-se na Igreja de Santa Justa. As actividades que desenvolveram ao longo de todos estes anos foram sobretudo no Sacramento da Reconciliação (Confessionário); a direcção espiritual e todo o trabalho de uma paróquia, catequese, liturgia e o trabalho sócio-caritativo, onde também eram reconhecidos.
Ao "Correio", o Padre Frei António Martins, ministro provincial dos Capuchinhos em Portugal lamenta esta saída. "Fechar uma casa é sempre uma tristeza enorme. Mas temos que reconhecer as nossas limitações: Somos cada vez menos, mais doentes e mais velhos e, temos também uma escassez de vocações", referiu o provincial da Ordem dos Capuchinhos.
Esta reformulação levada a cabo pelos franciscanos capuchinhos foi uma orientação geral para toda a ordem, de forma a diminuir as presenças em todos os países. Em Espanha, por exemplo, passaram de duas províncias para uma, e em Portugal, um dos objectivos é passar de oito casas para seis. Recorde-se que no ano passado, a primeira casa a ser encerrada foi a de Cabanas do Viriato (Diocese de Viseu), agora foi a vez de Coimbra.
Ao diminuir a presença nalguns países da Europa, a Ordem está neste momento a reforçar a sua presença em Angola e Timor-Leste. Em Timor, abriram ao longo de 2004 e 2005 duas casas, uma em Laleia, outra em Díli.
"A Ordem dos Franciscanos Capuchinhos em Portugal vai dar prioridade a Pastoral Bíblica e Vocacional" referiu o Padre António Martins. "Há toda uma reformulação do nosso ser e agir no mundo", salientou o frade capuchinho ao "Correio". "Esta saída, não é uma saída definitiva, porque continuaremos a estar presentes em Coimbra, mas de uma forma diferente, sem as responsabilidades de uma paróquia", acrescentou. "Estaremos quando formos solicitados".
A Comunidade da igreja de Santa Justa promoveu também um almoço que decorreu na sede da Liga dos Combatentes, na Rua da Sofia como forma de agradecimento aos frades capuchinhos que carinhosamente trabalharam nesta paróquia.
O Bispo de Coimbra pretende nos próximos dias reunir-se com alguns elementos da comunidade de Santa Justa para delinear um plano pastoral quanto ao futuro. Para já, uma coisa é certa, a igreja não vai fechar. "Não quero que me entreguem as chaves da igreja", afirmou D. Albino Cleto. O Bispo de Coimbra pretende, pelo menos, que se celebre todos os domingos a Eucaristia. "Todos vós tende essa responsabilidade de continuar a animar e a celebrar a fé como tão bem fizeram os frades capuchinhos", referiu o prelado. Após estas palavras tranquilizadoras do Pastor da diocese, irrompeu da assembleia uma salva de palmas.
O Padre Frei António Martins recordou no fim da Eucaristia, os frades capuchinhos que passaram por Santa Justa e que já partiram deste mundo, como foi o Padre Banhos, o Padre Miguel Negreiros e o Padre Pedro de Macieira.
O canto de acção graças, lema de S. Francisco "Paz e Bem" teve um significado muito particular sobretudo para aqueles que privaram de perto com os frades capuchinhos.




Miguel Cotrim

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